| |
|
Para Fé e Alegria, sua
fundação e seu nascimento tem muita importância, porque
considera imprescindíveis a mística animadora, exigente e
encarnada das suas origens, o conhecimento sobre quem foram
seus protagonistas, quais foram os seus feitos e sobre por
que esses feitos constituem um eixo fundamental na
identidade do Movimento
Fé e Alegria nasce do contato direto de seus fundadores com
a miséria e a marginalização que marcavam na época e marcam
ainda hoje milhões de homens e mulheres na América Latina.
Nasce, portanto, da percepção profunda de que a ignorância é
a causa fundamental de todas as injustiças e de todas as
misérias de que sofrem os povos.
|
|
Foto: site www.sjweb.info |
|
 |
|
À esquerda:
recepção de rádio educativa
de Fé e Alegria em Caracas - cidade onde tudo começou. Na
parede: quadro do fundador do movimento - Pe. José Maria
Velaz sj. À direita: imagem que ilustra bem o contexto
social e político que marcou a chegada de Fé e Alegria no
Brasil (abertura democrática e o movimento das "Diretas
já!"). |
|
|
|
A história de Fé e Alegria se inicia quando o Padre José
Maria Vélaz e seus alunos da Universidade Católica Andrés
Bello começaram visitar os arredores de Caracas, para
oferecer ajuda aos mais necessitados do bairro caraquenho
chamado “Gato Negro”, em Catia. Ali, encontraram-se com um
homem chamado Abrahán Reyes, que ofereceu sua casa para
suprir a necessidade prioritária daquele bairro de ter uma
escola.
“Olhe, Padre – disse ele a Vélaz: tenho escutado que o
senhor está procurando um local para fazer uma escola. Se o
senhor conseguir as professoras, eu consigo a casa”. Por
isso, no dia 5 de março de 1955, em um bairro de Caracas, na
humilde casa de um pedreiro chamado Abrahán Reyes,
inaugurou-se a primeira escola do que se conheceria como Fé
e Alegria. Inicialmente com cem meninos, mas as meninas
também queriam estudar e, mesmo não existindo naquele tempo
escolas mistas, receberam setenta meninas. As aulas
começaram sem carteiras nem quadros, as crianças sentadas no
cimento grosso, e três moças de quinze anos - moradoras do
bairro - foram as primeiras professoras. Nos fins de semana
recebiam o reforço dos jovens universitários. |
|
|
| |
|
“O
pedreiro deu-nos o impulso de um homem
pobre, de um homem que não era o que
geralmente se busca como exemplo. Ele
deu-nos o exemplo porque havia colocado
as economias de sete anos para fazer
aquela construção.
Isso estremecia-nos de admiração, porque
aquele homem, não só nos havia doado a
parte de cima da casa para os rapazes,
mas ofereceu
a sala de sua própria casa para as
crianças e admitimos setenta crianças e
ali começou Fé e Alegria”. (J. M. Vélaz). |
|
|
|
|
|
|
|
Abrahán e sua esposa
demoraram sete anos para construir aquela casa, tijolo a
tijolo, como constróem os pobres. “Se eu fico com ela, será
a casa de meus oito filhos. Mas se ela for transformada em
escola, será a casa de todas as crianças e jovens do
bairro”.
Para o Padre Vélaz, seus alunos foram os motores de ação;
com seus feitos, eles foram ganhando a confiança das pessoas
do bairro, mostrando que aquelas visitas não eram uma
campanha dessas que fazem os políticos e depois que ganham
os votos eles vão embora. Esses jovens viveram sua vocação
de servir, além de doarem seus fins de semana, se
comprometeram e abraçaram a idéia de dar forma a uma
realidade chamada Fé e Alegria. Então ele, como responsável
pela pastoral dos primeiros alunos da recém fundada
Universidade Católica Andrés Bello de Caracas, entendeu que
para a formação humana e cristã daqueles universitários era
necessário despertar sua sensibilidade por meio do contato
direto com os problemas e as necessidades do começo dos
grandes desafios. Ele os convidou e os acompanhou.
Fé e Alegria começou a multiplicar-se às custas do esforço,
ousadia e muita generosidade: dentro de matas, em ranchos ou
no alto de morros, ao lado de entulhos de lixo e valas de
esgotos, nesses lugares que ninguém gostava, lugares onde
acaba o asfalto e onde se encontram os esquecidos da
sociedade. Pouco a pouco foram aparecendo nos bairros da
cidade de Caracas outros lugares para acolher e estudar.
Estas escolas foram se transformando em redes, que permitem
formar e desenvolver as pessoas e comunidades
oferecendo-lhes uma melhor qualidade de vida.
As pessoas do bairro sempre consideraram e consideram as
escolas de Fé e Alegria como algo seu. Elas colaboram em sua
construção, derrubando montes, aplainando o terreno,
construindo cadeiras, mesas e carteiras. E muitos
profissionais e pessoas generosas têm doado seu tempo, seu
trabalho, suas idéias e seu dinheiro.
“Todos colaboravam; bom cada um colocou seu grãozinho de
areia; eu coloquei o primeiro grãozinho de areia, que foi a
casa… porque o motor, o homem entusiasta foi o Padre Vélaz,
ele foi o fundador desta obra, nós jamais imaginamos que
isso ia crescer, porque foi uma coisa tão espontânea, foi
uma coisa de querer fazer o bem. Eu, desde então me sinto
muito feliz. Eu acredito que, quando a pessoa se dá, é muito
mais que dar milhões de coisas materiais. Esse coração nunca
poderá estar amargurado, mesmo no meio de dificuldades e
adversidades. Este coração está cheio de Deus”. (Abrahán
Reyes).
O milagre de Fé e Alegria deve-se em grande parte ao impulso
e tenacidade de um homem, o Padre José Maria Vélaz. Ele, com
sua personalidade determinou o ser e a identidade da
instituição. Esta é a herança que nosso fundador nos deixou
para que nós possamos ser o que somos.
Esta semente iniciou-se com uma escola construída com força
de vontade, colaboração e audácia, sem prever com que
dinheiro poderia contar, ou quais eram os recursos
disponíveis. Isto mostra a grandeza de Fé e Alegria e das
pessoas que a compõem. Sua identidade é o reflexo do que
foram seus fundadores, ou seja, um movimento que é o
resultado dos que o integram. Assim foram eles e assim somos
nós.
Essa é a nossa identidade. |
|
- Texto retirado do
documento-base da Nova Proposta Educativa Nacional de Fé e
Alegria Brasil. |
|
|
|
Saiba mais
sobre Fé e
Alegria no Brasil (vídeo institucional): |
| |
Esse texto será substituído
|
|
|