Especial Fé e Alegria - 28 anos de Brasil.
Como semente de árvore grande: da casa de um pedreiro no "Gato Negro" a centros universitários, o quê anima o crescimento de Fé e Alegria no mundo?
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Para Fé e Alegria, sua fundação e seu nascimento tem muita importância, porque considera imprescindíveis a mística animadora, exigente e encarnada das suas origens, o conhecimento sobre quem foram seus protagonistas, quais foram os seus feitos e sobre por que esses feitos constituem um eixo fundamental na identidade do Movimento

Fé e Alegria nasce do contato direto de seus fundadores com a miséria e a marginalização que marcavam na época e marcam ainda hoje milhões de homens e mulheres na América Latina. Nasce, portanto, da percepção profunda de que a ignorância é a causa fundamental de todas as injustiças e de todas as misérias de que sofrem os povos.

 

Foto: site www.sjweb.info

À esquerda: recepção de rádio educativa de Fé e Alegria em Caracas - cidade onde tudo começou. Na parede: quadro do fundador do movimento - Pe. José Maria Velaz sj. À direita: imagem que ilustra bem o contexto social e político que marcou a chegada de Fé e Alegria no Brasil (abertura democrática e o movimento das "Diretas já!").

 

A história de Fé e Alegria se inicia quando o Padre José Maria Vélaz e seus alunos da Universidade Católica Andrés Bello começaram visitar os arredores de Caracas, para oferecer ajuda aos mais necessitados do bairro caraquenho chamado “Gato Negro”, em Catia. Ali, encontraram-se com um homem chamado Abrahán Reyes, que ofereceu sua casa para suprir a necessidade prioritária daquele bairro de ter uma escola.

“Olhe, Padre – disse ele a Vélaz: tenho escutado que o senhor está procurando um local para fazer uma escola. Se o senhor conseguir as professoras, eu consigo a casa”. Por isso, no dia 5 de março de 1955, em um bairro de Caracas, na humilde casa de um pedreiro chamado Abrahán Reyes, inaugurou-se a primeira escola do que se conheceria como Fé e Alegria. Inicialmente com cem meninos, mas as meninas também queriam estudar e, mesmo não existindo naquele tempo escolas mistas, receberam setenta meninas. As aulas começaram sem carteiras nem quadros, as crianças sentadas no cimento grosso, e três moças de quinze anos - moradoras do bairro - foram as primeiras professoras. Nos fins de semana recebiam o reforço dos jovens universitários.

 
 

“O pedreiro deu-nos o impulso de um homem pobre, de um homem que não era o que geralmente se busca como exemplo. Ele deu-nos o exemplo porque havia colocado as economias de sete anos para fazer aquela construção.
Isso estremecia-nos de admiração, porque aquele homem, não só nos havia doado a parte de cima da casa para os rapazes, mas ofereceu
a sala de sua própria casa para as crianças e admitimos setenta crianças e ali começou Fé e Alegria”. (J. M. Vélaz).

Abrahán e sua esposa demoraram sete anos para construir aquela casa, tijolo a tijolo, como constróem os pobres. “Se eu fico com ela, será a casa de meus oito filhos. Mas se ela for transformada em escola, será a casa de todas as crianças e jovens do bairro”.

Para o Padre Vélaz, seus alunos foram os motores de ação; com seus feitos, eles foram ganhando a confiança das pessoas do bairro, mostrando que aquelas visitas não eram uma campanha dessas que fazem os políticos e depois que ganham os votos eles vão embora. Esses jovens viveram sua vocação de servir, além de doarem seus fins de semana, se comprometeram e abraçaram a idéia de dar forma a uma realidade chamada Fé e Alegria. Então ele, como responsável pela pastoral dos primeiros alunos da recém fundada Universidade Católica Andrés Bello de Caracas, entendeu que para a formação humana e cristã daqueles universitários era necessário despertar sua sensibilidade por meio do contato direto com os problemas e as necessidades do começo dos grandes desafios. Ele os convidou e os acompanhou.

Fé e Alegria começou a multiplicar-se às custas do esforço, ousadia e muita generosidade: dentro de matas, em ranchos ou no alto de morros, ao lado de entulhos de lixo e valas de esgotos, nesses lugares que ninguém gostava, lugares onde acaba o asfalto e onde se encontram os esquecidos da sociedade. Pouco a pouco foram aparecendo nos bairros da cidade de Caracas outros lugares para acolher e estudar. Estas escolas foram se transformando em redes, que permitem formar e desenvolver as pessoas e comunidades oferecendo-lhes uma melhor qualidade de vida.

As pessoas do bairro sempre consideraram e consideram as escolas de Fé e Alegria como algo seu. Elas colaboram em sua construção, derrubando montes, aplainando o terreno, construindo cadeiras, mesas e carteiras. E muitos profissionais e pessoas generosas têm doado seu tempo, seu trabalho, suas idéias e seu dinheiro.

“Todos colaboravam; bom cada um colocou seu grãozinho de areia; eu coloquei o primeiro grãozinho de areia, que foi a casa… porque o motor, o homem entusiasta foi o Padre Vélaz, ele foi o fundador desta obra, nós jamais imaginamos que isso ia crescer, porque foi uma coisa tão espontânea, foi uma coisa de querer fazer o bem. Eu, desde então me sinto muito feliz. Eu acredito que, quando a pessoa se dá, é muito mais que dar milhões de coisas materiais. Esse coração nunca poderá estar amargurado, mesmo no meio de dificuldades e adversidades. Este coração está cheio de Deus”. (Abrahán Reyes).

O milagre de Fé e Alegria deve-se em grande parte ao impulso e tenacidade de um homem, o Padre José Maria Vélaz. Ele, com sua personalidade determinou o ser e a identidade da instituição. Esta é a herança que nosso fundador nos deixou para que nós possamos ser o que somos.

Esta semente iniciou-se com uma escola construída com força de vontade, colaboração e audácia, sem prever com que dinheiro poderia contar, ou quais eram os recursos disponíveis. Isto mostra a grandeza de Fé e Alegria e das pessoas que a compõem. Sua identidade é o reflexo do que foram seus fundadores, ou seja, um movimento que é o resultado dos que o integram. Assim foram eles e assim somos nós.

Essa é a nossa identidade.

- Texto retirado do documento-base da Nova Proposta Educativa Nacional de Fé e Alegria Brasil.
 

Saiba mais sobre Fé e Alegria no Brasil (vídeo institucional):

 

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